A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou
denúncia por incitação ao crime de estupro e injúria contra o deputado Jair
Bolsonaro (PSC-RJ) nesta terça-feira (21). Bolsonaro afirmou em 2014 que a
deputada Maria do Rosário (PT-RS) “não merecia ser estuprada”. A Primeira
Turma, formada pelos ministros Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio, Luiz Fux,
Rosa Weber e Edson Fachin, aceitou, por quatro votos a um, a denúncia. O
Ministro Marco Aurélio votou para não receber afirmando que o deputado estava
protegido por imunidade parlamentar quando fez a declaração e que o que Jair
fez foi um “arroubo de retórica”. Marco Aurélio adicionou, ainda, que era
"lastimável" o STF "perder tempo" apreciando tal situação
jurídica. Como defesa, os advogados do deputado afirmaram que os estupros no
Brasil não aumentaram por conta da declaração e que o que estava em jogo era a
“liberdade de manifestação”. Quanto à questão da imunidade parlamentar, o
advogado de Maria, Paulo Freire, afirmou que não se configura imunidade parlamentar,
mas sim ofensas pessoais à deputada. O ministro Luiz Fux, relator de dois
processos contra Bolsonaro (PET 5.243 e Inq 3.932), afirmou que ele não falou
sobre a deputada apenas em discurso, que repetiu as críticas em entrevistas e
que a jurisprudência protege o parlamentar em situações em que haja relação com
o mandato. Adicionou, ainda, que não se pode subestimar os efeitos dos
discursos que possam gerar consequências como o encorajamento da prática do
estupro. “A violência sexual é um processo consciente de intimidação pelo qual
as mulheres são mantidas em estado de medo”, afirmou Fux. A ministra Rosa
Weber, única mulher da primeira turma do STF, afirmou que "imunidade
parlamentar não significa impunidade".
Fonte: Bahia Notícias
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